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Não vou soltar os que falam de Amor. São posts difíceis de controlar, de compreender, de escrever e, pior, difíceis de voltar a fechar dentro da cerca depois de soltos na escrita. Não... esses ficam fechados, lá dentro, num cantinho seguro. Escrito por Lú Azevedo às 17h07 [ ] [ envie esta mensagem ]
(fotógrafia: Evgen Bavcar - cego)
Tá, eu sei que isso aqui tá virando "o diário da donzela pós-moderna, pós pós modernidade". Mas tenham paciência com essa quase balzaquiana que está em plena transformação do olhar. Minhas vistas estão cansadas e quando fico de “castigo”, não tenho tempo para brincar de pensar. Tenho necessidade de usar óculos. Comecei a usá-los aos doze anos de idade, mas sempre dava um jeito de tirá-los em alguns momentos do dia, afinal, a necessidade era mais estética que verdadeira e ver tudo com clareza me fazia mal. O problema é que mais gente, além do oftalmo, começou a reclamar da ausência de visão e até desconhecidos ficam falando em observação e outros tantos imãs...Ao contrário de antigamente que me deixavam num cantinho da casa, quietinha. Era bom; brincava de pensar, pensava no pensar e não falava com ninguém. Podia ter a certeza de que minha tagarelice não estava incomodando. Até minha eterna "leve impressão de que já vou tarde" sumia e eu podia ficar comigo mesma. É bom estar só comigo. Hoje em dia não posso mais desfrutar de minha companhia, a todo momento me chamam e eu tenho que estar de óculos. Repetem o tempo inteiro que preciso enxergar /observar direito. Ora! O embaçar das coisas, o vulto e a sombra alimentam meus pensamentos. Posso emprestar formas muito mais interessantes às coisas. Mas ninguém entende isso por conta dos famigerados "anos que chegam”, sim, àqueles que batem à porta e entram sorrateramente pelas frestas. O fato é que estou pensando, seriamente, em não atendê-los, não fossem a dores de cabeça... *Certo é meu vô que deixou de ouvir porque quis! Escrito por Lú Azevedo às 16h27 [ ] [ envie esta mensagem ] “Escrevo por profundamente querer falar.” (Clarice Lispector – “Água Viva” – pg.: 13)
* Lendo pela 5a. ou 6a. vez... "Àgua Viva" continua sendo algo estranho e fascinante pra mim. Escrito por Lú Azevedo às 16h33 [ ] [ envie esta mensagem ] "É que quando eu cheguei por aqui, eu nada entendi." No centro velho de São Paulo o rosto de espera do paulistano fica mais exposto. Há gente que passa e a pressa contagia até quem não tem compromisso.
Há homens do meu tamanho, mulheres com 1,90m. Há meninas que parecem meninos de mãos dadas com meninos que parecem meninas.
Há prédios lindos que ficaram feios, prédios feios que todo mundo diz que são lindos. Ruas sujas e garis sentados. Ruas limpas e garis varrendo.
Na estação Sé, se não tomar cuidado, sai do outro lado. Dentro do metrô, espera a estação que se não tomar cuidado, desce na errada. Na rua, espera o trânsito passar, o ônibus chegar, os passantes diminuírem. E quando se cansa de esperar, pode ir em qualquer boteco do centro, porque tudo é perto e tem uma estação de metrô em cada esquina. Ou tudo é longe, mas tem tanta gente esperando, que parece que tudo é perto e fica ali na esquina, atrás daquela moça vendo pente, ou do rapaz vendendo chocolate.
Paulistano espera! * 1h30m na fila da prefeitura! Escrito por Lú Azevedo às 13h17 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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