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DOIS RIOS (Skank) Escrito por Lú Azevedo às 10h30 [ ] [ envie esta mensagem ] "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
Clarice Lipector
*saudade da aula do (Ninho) Soler!
"Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo o entendimento..."
Escrito por Lú Azevedo às 09h37 [ ] [ envie esta mensagem ] "Naquele tempo o amor corria solto! - em meio a toda espécie de movimentos simulados." Fernando Sabino – “Movimentos Simulados” Acabei de comprar este livro. Sabino encontrou os manuscritos este ano, sem querer, no meio de muitas “velharias”, amarrado e com um dizer: CUIDADO! Foi assim que aconteceu também com o “Livro Aberto” e “As Cartas”, e, sem contar que ainda está prevista a publicação de um policial infantil (adoro!) no próximo 12 de outubro - dia das crianças e seu aniversário. Coincidência uma pessoa como ele nascer nesse dia, não? Para mim, depois de ler o “Menino no Espelho”, “Vitórias da Infância” e tantos outros títulos infantis, tenho mais certeza que isso não ocorre por ordem do acaso. Vejo o genial Fernando Sabino, como um menino que a vida obrigou a crescer. Mas ele continua sendo uma criança que alimenta incansavelmente o seu baú mágico. E que na hora exata puxa, de dentro dele, um novo título. Ele é, sim, uma eterna criança, que tem sempre a tiracolo um lápis, um papel e seu baú disfarçados numa pessoa de 81 anos, marcada não só pelo tempo, como sua vida como um todo. Ele é não só uma caixinha de surpresas, mas um baú repleto de vida, arte e dedicação. Será que tem mais coisa no Baú? Escrito por Lú Azevedo às 10h19 [ ] [ envie esta mensagem ] O habitat da felicidade Com a felicidade Comprei, há poucos dias, o novo CD da Zélia Duncan: Eu me Transformo em Outras. Título apropriadíssimo, pois Zélia, que costuma cantar músicas que ela mesma escreve, dessa vez empresta sua voz exclusivamente a canções de outrem. Contudo, resultado raro, ela consegue ser extremamente pessoal, convencendo-nos da sua própria transmutação - ou na transmutação das canções, o segredo pode estar em admitir esta possibilidade. De qualquer forma, é ela, reconhecemos aos primeiros acordes. Assim como a negra da ilustração da capa, uma reprodução de uma pintura de Debret, mesmo com o rosto pintado de branco, pensa que é outra, mas somente é o que ela seria com o rosto pintado de branco - a mudança de si mesmo para se obter. Algo bem Quero Ser John Malkovich: no fundo, ninguém quer ser mais ninguém além de si mesmo. Ainda tem mais: cogito fortemente a possibilidade da Zélia Duncan ser médium, macumbeira, adivinha, vidente, cigana, quiromante ou qualquer coisa que o valha. É impressionante como, a cada novo trabalho que ela lança, faz com que "certas canções que ouço caibam tão dentro de mim, que perguntar carece: como não fui eu quem fiz?", sendo inevitável experimentar o que Milton sentiu ao escrever esta canção um dia. Sem querer parecer pretensiosa, é isso mesmo: acho que ela sabe o que sinto. Está certo, nem delirando dá para admitir esta hipótese. Contudo, o fato é que sinto que as músicas são para mim, e serei eternamente grata a ela por me permitir isto. Escrito por Lú Azevedo às 11h53 [ ] [ envie esta mensagem ] "Quero a vibração do alegre. Mas quero também a inconseqüência. Liberdade? É o meu último refugio, forcei-me à liberdade e agüento-a não como um dom, mas com heroísmo: sou heroicamente livre. E quero o fluxo.
(Clarice Lispector; "Água Viva")
*sempre encontro coisas novas em "Água Vida" Escrito por Lú Azevedo às 15h22 [ ] [ envie esta mensagem ] |
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