Res Ipsa  


Em 1757, Jean-jacques Rousseau escreveu “Emílio”, um romance que marcou profundamente o pensamento pedagógico moderno. Nessa obra, ele propõe princípios e métodos educacionais que impeçam que uma criança (sempre boa por natureza, tal como, acredita ele, nasce qualquer homem ou mulher) se torne má ao ficar adulta.

 

Rousseau proclama a “bondade natural” das pessoas, mas teme sempre que a vida social apodreça essa condição inicial. Desse modo, é preciso uma educação com métodos ativos, com respeito à personalidade infantil e que impeça a ocorrência de descaminhos maléficos.

 

É dessa possibilidade que trata o romance; afinal, pensava o filósofo, é necessário deixar que o modo como o criador infalível da vida nos fez siga o seu curso próprio, sem a corrompida e desviante interferência humana. Aliás, a primeira frase do livro é “tudo está bem, ao sair do Autor das coisas”.  Emílio, na história, cresce sem afastar-se da natureza, viaja bastante pela Europa para aprender ao máximo sobre amplitude até encontrar alguém (Sophia) que, como ele, também assim fizera. Essa mulher com quem se casa, atingindo, desse modo, a aliança para o um futuro de esperança e bondade mútuas.

 

Nessa mesma Europa pela qual passeou o fictício “Emílio”, há 60 anos uma menina alemã de ascendência judaica teve de interromper um “diário” que escrevia com discrição e medo; Após mais de dois anos escondida com a família no forro de uma casa em Amsterdã, Anne Frank foi aprisionada pelos nazistas. Quando as forças aliadas inglesas chegaram ao campo Berger-Belsen se depararam com o horror: 40 mil pessoas mortas, entre as quais Anne.

 

No entanto o inesperado aconteceu: as anotações da menina sobreviveram e, foram publicadas em 1947 conhecidas como “O Diário de Anne Frank”.

 

O mais incrível, porém, é encontrar nesse diário a surpreendente frase de Anne; “Apesar de tudo, eu ainda creio na bondade humana” . como é possível? Depois de tudo? Tanto padecimento, tanta tortura!! E, de novo, tanta confiança e alento.

 

Credulidade sentimental? Fé simplória? Delírio filosófico? Romantismo piegas? E daí? É provável que Rousseau ou Anne, seja apenas mais uma demonstração da insistente recusa de muitos em aceitar que a humanidade não tem saída.

 

A maldade não é humana?  Desumano: ato praticado por um homem que pareça ter perdido o juízo feito algo que se entende como brutal. Ora, somos capazes disso! Nossa liberdade nos permite e nos incrimina, nosso arbítrio nos autoriza e nos inculpa; diferentemente de outros seres, temos maior condição de autonomamente decidir e escolher.

 

Crédulo Rousseau, inocente Anne. Ou melhor sermos funestamente realistas? Ainda há tempo?

 

(Mario Sergio Cortella ) 

*filosofando!


Escrito por Lú Azevedo às 12h33 [   ] [ envie esta mensagem ]





"A felicidade é a alegria de um corpo

e de um espírito

capazes de viver a multiplicidade

simultânea de afetos e idéias"

 


Escrito por Lú Azevedo às 13h58 [   ] [ envie esta mensagem ]





FLORES NO DESERTO
(Vega)
Não vale a pena esconder a dor
Manter adormecido o que já passou 
Sentindo as cicatrizes ao redor
Marcas no inconsciente, insatisfação
Olhando os objetos no lugar 
Eu tenho a impressão de que nada mudou
Sombras e eternas ilusões 
Me vejo entre momentos de alucinações 
Vejo flores no deserto 
Homens buscando o certo 
Labirintos, fontes do pecado
Mapas que me levam ao passado 
Reações impensadas
Mentes alienadas 
Sentimentos presos sem saída
Momentos de eternas despedidas 
Me disperso ao entardecer 
Falo palavras que eu queria esquecer
Me perco entre tantas invenções 
A vida se refaz por entre frustrações
Encontro o templo para despertar 

Paredes que me levam pra algum lugar


Escrito por Lú Azevedo às 09h41 [   ] [ envie esta mensagem ]





De onde é que saiu essa fotografia? Remexo em antigos papéis, velhos poemas, recortes de jornal - há uma história, mas o passado se transforma mais que o presente e o futuro é sempre aquela mesma coisa que vai acontecendo, acontecendo. O futuro era melhor no passado e, no entanto, hoje é sempre melhor que ontem. Seja lá como for minha veia para escritora se mostra inútil, mais uma vez.

 

Pelo menos achei uma frase, que como todas as que existem, também não é minha: “Sou como uma escola de samba com mais de três mil figurantes desfilando o mesmo enredo.” Pronto, essa frase me define. E nessa construção múltipla, percebo  que meu coração balança um samba de tamborim. Mas, e se eu olhasse para onde vão meus olhos, já que não consigo detê-los? E se mostrasse apenas onde eles se demoram?  Esses meus olhos que eu nunca acho, me fazem recordar e recortar em meus antigos cadernos de colagem.

 

Não quero ver novas paisagens, quero novos olhos para olhar as mesmas paisagens. Gosto de pessoas em todas as idades, em todos os papéis. Gosto das que a gente pode chamar de: a minha/meu amigo, parente, família, amante. E o que pode ser mais perfeito a uma mulher que amar e ser amada, e não falo somente do meu amor pelo Me, falo de amor nas frações, nos detalhes e improbabilidades dos momentos que vivo com as pessoas que amo.

 

(hoje se fala muito em relacionamentos, de amor mesmo não se ouve quase nada)

 

Eu gosto de gostar. Sou uma “amadora”, por assim dizer. E de tudo que faço, me segue o amor por estar fazendo. Me divirto em quase todo trabalho. Sou feliz por ter sido escolhida por essa profissão, a de estar onde a alegria e a celebração acontecem. Nos hotéis e cadastros escrevo - artista. Acho meio pedante quando aparece aquela lista - cantor/compositor/ator/escritor; mesmo sendo verdade e gostoso ter essas diferentes embarcações por onde velejar. Neste país singular, pluralidade é mais conhecida como indefinição. Se há competência ou não são outros quinhentos. E eu quero ainda escrever uns livros, trabalhar como atriz em alguns espetáculos e depois dirigi-los com todas as minhas loucuras contemporâneas, quero lecionar para professores e crianças especiais, quero continuar estudando e aprendendo as coisas, além de ter minha própria casa, ter tempo pra ver a Sophia crescer e meus pais envelhecerem...  e deixar por minha conta essa indefinição será permanente. Novos olhos. Mas já realizei algumas coisas que sonhava...

 

Entre Lennon e MCcartney sou mais a dupla. Entre Beatles e Stones, idem. Sou completamente Caetano, Gil, Chico, Nana e Elis; montanha e fazenda mais que praia; coração bossa-nova, quadris rock’n’roll, pés sambistas e na cabeça soul; detesto cigarros e outros entorpecentes, prefiro meditação, poesia e risadas. Não gosto de muita arrumação e nem de bagunça, mas entre o confortável e o elegante sou mais o conforto. Gosto de comidas típicas, que experimento quando viajo, alias, detesto ir aos cartões postais, prefiro andar pelas ruas íntimas das cidades, sentir os cheiros e compreender suas lógicas e matizes. Ir aos lugares onde os locais vão.  Deteste seguir a "boiada" , mas já fiz muito isso, tentando ser pertinente ou coerente, sei lá. Vai ver era preguiça. Deixo a câmera passeando pelas alas, para que você possa ver as fantasias. “ Vai passar, nessa avenida um samba popular...”

*Atibaia - 09/07/2004 - Acho que a fase deserto já passou, estou cheia de "suspirações".


Escrito por Lú Azevedo às 09h40 [   ] [ envie esta mensagem ]





"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice! Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril".

 

Oscar Wilde

*Aos amigos Cris Medeiros e Fábio Castilho (A4 mãos)

...serei...será... seremos...


Escrito por Lú Azevedo às 17h43 [   ] [ envie esta mensagem ]



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