Palavras e Silêncios Zeca Baleiro e Fausto Nilo
Não se move uma montanha Por um pálido pedido De alguém que não se ama Todo ouro está contigo Para isso há muita chama No coração do bandido
Mais uma vez o dia chega Em minha vida Como uma chama na selva O sol na cama da relva A tua boca e a lua A minha boca e a tua Vão deixando pela rua Palavras e silêncios Que jamais se encontrarão
* Faz tempo que queria colocar essa música aqui, hoje é um bom dia! No feriado vou mover montanha (Pedra Grande) de Atibaia!
"Em um abraço, seja sempre o último a soltar o braço"
*Para não esquecer
Escrito por Lú Azevedo às 09h40
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Via Láctea (soneto XIII)
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!" Eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto A vida láctea, como um pálido aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procura pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas."
(Olavo Bilac)
*...e entender-me!
Escrito por Lú Azevedo às 16h33
[ ]
[ envie esta mensagem ]
Às vezes se instala uma angústia dentro da gente. Se instala mesmo sabe? Como quando o técnico vem e instala uma geladeira na casa. Abre uma maleta, pega uns fios, liga nos lugares aperta uns botões e, de repente, vrrrrummmm, lá está a geladeira funcionando. O homem vai embora, leva a maleta, a prancheta e você fica lá, com o produto ocupando um espação enorme na sua cozinha. Pode ir para o quarto, para a sala, para o banheiro... Mas sabe que a geladeira ta lá, na cozinha, branca, grande, do chão até o teto, quase. E você, mesmo que se esforçasse, não conseguiria tirá-la de lá...
Assim como a angústia. Ela vem e instala dentro de você. Em algum lugar no fundo do peito. Você poderia pensar em outra coisa, ter dor no pé, no ouvido ou sentir calor, mas a angústia está lá, gelando os ossos cada vez que você respira.
A diferença é que ninguém solicitou essa instalação. Não chamamos a Brastemp, a GE, a Gradiente, não chamamos ninguém. Aliás, talvez até tenhamos pedido socorro sim, mas para alguém que não veio... E daí vem os chatos dos técnicos, com os fios, os botões, as armas. Eu queria expulsar todos eles. Por uma bomba na geladeira maldita que enfiaram aqui, no fundo do meu peito, ocupando um espaço enorme, do chão até o teto, quase. Um trambolho do qual eu não consigo me livrar.
É, as vezes, se instala uma angústia.
Se alguém souber como desinstalar, onde aperta, em que lugar deixo, me avisa.
Esse barulho, o vrrrummm que faz a angústia, tem me dado vontade de chorar....
Veja Margarida
(Vital Farias)
Veja você, arco-íris já mudou de cor
E uma rosa nunca mais desabrochou
E eu não quero ver você
Com esse gosto de sabão na boca
Veja meu bem, gasolina vai subir de preço
Eu não quero nunca mais seu endereço
Ou é o começo do fimou é o fim...
Eu vou partir
Pra cidade garantida, proibida
Arranjar meio de vida, Margarida
Pra você gostar de mim
Essas feridas da vida, Margarida
Essas feridas da vida, amarga vida
Pra você gostar de mim.
Escrito por Lú Azevedo às 09h55
[ ]
[ envie esta mensagem ]
[ ver mensagens anteriores ]
|